quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O grilo e a vida.

Não deixe que o grilo entre em sua casa. Ele pode lhe trazer toda sorte do mundo, mas não pode trazer felicidade.
Certa vez, o garoto deixou que o grilo criasse morada em sua casa. Ele o alimentou com conversas, o refrescou com ventiladores, e o adotou como irmão amigo. Por meses foi assim. Contava-lhe todos os seus anseios, medos e dúvidas. Compartilhava acontecimentos engraçados da escola, lia histórias em voz alta, e, todos os dias, esperava o paciente grilo adormecer para que então pudesse fazer o mesmo. Deu-lhe até um nome: Branco. A amizade era estável. Quando um não queria ouvir, o outro calava-se. Se entendiam pelo olhar e pelos suspiros. Nada parecia poder quebrar o laço existente entre os dois. Até que, um dia, o grilo revelou a toda cidade os segredos mais profundos do garoto. O grilo matou os pais do garoto. O grilo afastou os amigos do garoto. O grilo o traiu. Decepcionou profundamente uma alma feliz que vivia neste mundo. Nunca mais a amizade foi a mesma. O grilo pediu desculpas, o garoto desculpou. Mas, por dentro, seu coração chorava. Não conseguia lembrar do grilo com um pingo de amor.
O grilo matou o garoto.

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